40 anos de ocaso

Outubro 31, 2006

Morei no Maranhão nos anos de 2001 a 2002 e pude presenciar de fato a sufocante predominância da oligarquia Sarney no mais miserável estado da nação, ostentador de um IDH comparável a Serra Leoa e Burundi, na África.
“Isto não é uma família, é um flagelo”, comentou uma jornalista(a qual não me recordo o nome), numa análise dos indicadores sócio-econômicos do estado nos 40 anos de domínio da família , no período em que despontava a candidatura de Roseana Sarney para a Presidência da República, antes de descobrirem o escândalo dos milhões de dólares na empresa Lunus, de propriedade do marido de Roseana(ilustração ao lado).
De fato, havia uma clara certeza entre os opositores dos Sarneys de que boa parcela da culpa do péssimo desempenho social do Maranhão nesses últimos 40 anos deveu-se a uma política personalista detentora de praticamente todos os grandes meios de comunicação do Estado e a um coronelismo arraigado nas constantes práticas de favores desses para com a população mais pobre.
Atualmente, verifica-se que a população acordou(cumpre salientar também o vigente caso para o carlismo baiano) para anos de arbitrariedade e favoritismo. O três vezes prefeito de São Luís, Jackson Lago, do PDT, adversário dos Sarneys desde os anos 60, fundiu uma coalizão forte para o segundo turno com o propósito de desbancar de vez a eleição de Roseana Sarney. A vitória de Roseana era dada como certa já para o primeiro turno, mas o forte clima de oba-oba e o não-comparecimento da candidata ao debate no primeiro turno serviram para a imposição de um segundo turno. Caíram por terra, como se verificou no resultado das eleições de ontem, as ilusões sarneyzistas de mais 4 anos de governo.
Jackson Lago afirmou na noite da apuração da eleição ontem que se tratava “do fim de uma noite que já durava 40 anos”. Palavras mais do que acertadas. Será o fim de um ocaso de um estado tão rico em natureza econômica e social tão mal aproveitadas diante do quadriênio dos Sarneys?
Esperamos que sim, não me curvo a dizer. É um novo rumo para os quadros nacionais(vide derrubada crescente das oligarquias) e a esperança de uma nova era para o desenvolvimento maranhense, o que não deixa de ser bom também para o Brasil, que vem trilhando pelo mesmo rumo.

News On the March!!!

Outubro 31, 2006
Essa história de montar um blog sem ter disposição pra escrever em dias consecutivos é complicado por demais. A semana passada foi verdadeiramente tediosa e estafante pra este blogueiro que vos fala. O clima de eleições no final da semana serviu pra melhorar em matéria de novidades e a ocasião da boa vitória de Lula (não disfarço minhas preferências políticas) surgiu como um alento para a continuidade da política social e desenvolvimentista pela qual o país experimentou nestes últimos 4 anos(daqui a pouco Alberto posta um comentário baixando o pau).
Bem, mas não é sobre política o conteúdo deste post e sim apenas para informação de que ou na quarta ou na quinta ou na sexta desta semana estarei de viagem pro Rio de Janeiro, no qual farei um estágio de um mês por lá. Dentro desse considerável período de estadia em terras cariocas, postarei(pelo menos é o que pretendo) um diário sobre esses dias de vislumbramento com a cidade grande.
Beradeiro que sou, nunca conheci nada além do sul de Pernambuco e nada além do oeste do Maranhão, portanto preparem-se para um relato verdadeiro sobre as impressões no Rio de Janeiro. Já me imagino lá no meio da cidade pensando em se tratar realmente que é “um mundo!!” como costumam considerar os advindos de capitais e cidadelas provincianas. Samba e chorinho de rocha,boy.
É isso, acho que começo o relato a partir do dia da viagem, que é indefinido, mas aguardem…

Male Tempora!!!

Outubro 25, 2006
“Male Tempora”(maus tempos, na tradução do italiano), apregoa o místico Santo Colombino na clássica continuação (porém nem muito lembrada) da comédia “O Incrível Exército de Brancaleone”, qual seja, “Brancaleone nas Cruzadas“(Itália, 1970).
Os “maus tempos”, versados pelo místico(que reside no topo de um pedestal gigante) dizem respeito à época das cruzadas aonde persistiam a incerteza política na Europa e a peste, que se alastrava de maneira descomunal. Há no filme a célebre cena em que, num duelo a respeito de quem teria a legitimidade divina para ser o verdadeiro papa – se o Papa Clemente ou o Papa Gregório, o místico incumbe uma tarefa para o atrapalhado cavaleiro Brancaleone de Norcia: andar de pés descalços sobre brasas ardentes de cerca de um metro de comprimento. Caso cumprisse a complicada tarefa, o papado viria a ficar com o Papa Gregório(demonstrado na ilustração ao lado, carregado por três moribundos) e protegido por Brancaleone.
O interessante do filme é a quantidade de situações tão típicas do medievo transformadas em tom de paródia. Tais comédias como esta não existem hoje em dia(guardadas algumas exceções, mas são infelizmente a minoria). Humor inteligente e de senso crítico, guardada pelo gênio do brilhante diretor Mario Monicelli e pelo lendário ator Vittorio Gassman.
Recomendo ainda outra leva de filmes, como o primeiro “O Incrível Exército de Brancaleone” e a trilogia de “Monty Python”, ou seja, mostram-se aqui os melhores títulos europeus do gênero. Pretendo ainda conhecer mais coisas acerca do cinema europeu de comédia.
Por ora, é isso.

Debate na Record

Outubro 24, 2006
Não assisti direito a nenhum debate promovido pelos canais de televisão para esse segundo turno, devido à impropriedade do horário e ao meu corriqueiro sono das 23 horas.
Tento me informar, no dia seguinte ao dia de cada debate, por opiniões de amigos de faculdade e demais meios de comunicação via internet para avaliar, quem, na opinião destes, havia ganho o debate (apesar de na faculdade não existir muita gente pró-alckmin).
O problema de se interpretar, na ótica de cada eleitor fidedigno, qual candidato ganha o debate, é tal qual analisar dentro de um estádio de futebol, diante da efervescente paixão pelo time do coração e, em defesa do próprio , jamais admitir a sua falta de qualidade. ( Meu amigo Alberto, alckmista ferrenho, é o responsável por tal analogia).
Pelo que pude inferir dos poucos momentos que acompanhei, no debate da Record de ontem, foram momentos alternantes entre a calma e a impaciência para os dois candidatos.
Lula se manteve coerente no diálogo sobre política externa, programas sociais e mais outros tantos acertos do seu governo, contudo se atrapalhou com perguntas sobre políticas para deficientes e sobre o tão conhecido cartão de crédito do presidente.
Alckmin pecou pelo excesso de formalismo e por uma linguagem incompreensível, além de não chegar exatamente no tema proposto quando a pergunta era feita pelo candidato Lula. Acertou nas perguntas perniciosas sobre a ética política.

O que realmente, de fato, importa na realização desses debates é se será capaz de atingir o eleitorado no dia seguinte: possibilitando uma mudança brusca na escolha do candidato ou na afirmação mais que definida pelo mesmo.
No momento, é difícil aparecer algo parecido com o caso “Lurien”, que derrubou o candidato Lula nas eleições de 1989, no último debate a ser realizado pela Globo na próxima sexta.

Mas em política tudo é possível,penso eu…


Auto-controle

Outubro 19, 2006

Descobri agora no cochilo da tarde que sou capaz de controlar meu sono.

Nem lembro agora sobre o que eu tava sonhando, só sei que a cada vez que o meusubconsciente pedia: “É hora de acordar, o despertador tocará de 16:30h, é tudo uma questão de vontade. E aí, acorda ou não?”(mera ilustração da descrição do sono e das reações do organismo), a outra parte confrontadora do meu subsconsciente respondia: “Não tem pressa, a tarde tá livre, só tem trabalho à noite, é preciso repor o sono perdido da madrugada, o sonho também tá tranquilo,deixe pra mais tarde.”

E realmente quando eu quis acordar, meio que numa percepção de que as 16:30 h estavam chegando, busquei no subconsciente a determinação para acordar, de rompante.

Recomendo a todos buscar esse método, mas acredito que só funcione no sono descompromissado da tarde(métodos empíricos comprovam).

A descrição psicológica pode até parecer muito imprecisa, mas, dentro da minha leiguice, foi o que pude compreender.


Flor do Lácio

Outubro 19, 2006

Resolvi deixar essa poesia do poeta-maior pra causar alguma reflexão.
Usufruam.

AUTOPSICOGRAFIA

O poeta é um fingidor
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente

E os que lêem o que escreve
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm

E assim nas calhas de roda,
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração

Fernando Pessoa


De bobeira

Outubro 19, 2006
O caba(o narrador aqui) chegar neste blog, depois de uns 6 dias e não escrever nada demais… realmente é frustante pra quem esperava algum post interessante.

O problema é que tô numa falta de inspiração da gota pra essas coisas de blog nessa semana. Isso com certeza tem a ver com a semana um pouco puxada que se iniciou e também com uma imensa falta de conhecimento em relação à como montar a estrutura de um “verdadeiro” blog…Esses blogs cheios de parafernalha(link pra site no canto direito da página, contador de acesso,etc…).

Enfim, também gastei meu tempo pra tentar ajeitar essas coisas e até agora “nem água,pai”, tá o mesmo site chinfrim de sempre. E se vocês repararem, quando inicia a entrada no meu blog, sempre aparece uns links no canto de cima feitos na base da pedreiragem por quem não sabe mexer direito em modelos de formatação(eu).

O mais breve possível(só não garanto quando) farei com que este site seja maravilha de recursos indispensáveis para fustigadores de blogs(os meus caros e nao sei quantos leitores que vêm acessar aqui). É sempre bom guardar no site uma porrada de links de outros sites pra gerar um círculo de novidades e conhecimento internet afora, procurarei isto.

É isso,perdoem. Vem mais por aí.


Músicas do Blog – que fizeram a cabeça deste narrador na semana 2

Outubro 14, 2006

1- Marim dos Caetés – Alceu Valença

Tive a oportunidade de rememorar essa música num churrasco dum ilustre amigo meu neste feriado dia 12/10, numa roda de violão.
Quando estou em São Luís, sempre pinta uma oportunidade de ir prum barzinho lá que toca uma infinidade de coisas da MPB(em CD e LP) e, a pedidos, sempre que mando o bilhete pro dono do bar peço “Marim dos Caetés”, de Alceu.
Essa música é da memória sentimental. Faz-me lembrar das viagens com a família, na Belina cor de vinho, de Assu pro Seridó ou de Assu pra Natal. Toda vez papai colocava um K7 velho, todo detonado, em que tocava uma versão ao vivo de “Marim”. Pulava sempre na parte que Alceu dizia “porta dos cabaré”.
Taí, vale a recordação.

2- Onde a Dor não Tem Razão – Paulinho da Viola e Élton Medeiros

Uma das mais belas canções de Paulinho, em parceria com Élton Medeiros. Trata de um velho e corriqueiro tema nas canções do mestre: a desilusão. Contudo, o velho coração abalado demonstra sinais de cansaço com tamanhos “amores perdidos” e “paixões” mal-resolvidas. Decide mudar de rumo e tocar a vida com tranquilidade, impassível de dor e esperançoso.

Recomendada pra ouvir com uma breja do lado bem gelada.


3- Happiness Is a Warm Gun – The Beatles

Discuti com um amigo se essa música era daquelas a qual Lennon se referia como uma de suas composições “perfeitas”. É sabido que “Help” e Strawberry Fields Forever” entram nesse time, mas John ainda acrescentou umas duas músicas do álbum Branco como referência.
Acredito que “Happiness Is a Warm Gun” entra neste rol seleto de perfeição.
Ouçam e confiram, pra ver se eu não tô mentindo.

4- He Was a Friend of Mine – Bob Dylan

Clássico “folk”, interpretada pelo maior compositor estadunidense das décadas de 60 pra cá. Essa canção entra na velha tradição das músicas rancheiras dos EUA, relatando vida de gente comum e sofrida.
O amigo do cara nunca tinha feito mal a ninguém e morreu de bobeira na estrada sem um tostão furado. É basicamente isso.
Penosa….

5- Violêro – Elomar

Rapaz, quem define a obra de Elomar em palavras certeiras é justamente Vinícius de Moraes. Confiram aqui.
Pus a clássica “Violêro” aqui como mera ilustração. Ouçam a obra do mestre da cantoria que vocês saberão do que eu tô falando.


Bodas de Hematita

Outubro 14, 2006
Dedico este espaço para meus pais que ontem comemoraram 28 anos de casamento.

Toda família tem uma história e com certeza tenho muito a aprender com as lições de Joaquim e Maria Do Céu nesta escalada para uma vida notável em superação de obstáculos e constituição sólida na base familiar.

Felizes bodas de hematita(28 anos de casamento), papai e mamãe. Vocês merecem!!!


Nostalgia

Outubro 14, 2006


Tava dando uma fuçada no emulador de Mega Drive novo que instalei há pouco tempo e comecei a jogar aquele jogo de Michael Jackson na época do filme “Moonwalker”, em 1991.
O jogo é basicamente isso: Michael Jackson luta contra os mafiosos ao som de músicas classe em formato videogame como “Smooth Criminal”, “Bad” e “Thriller”. Isso tudo para salvar as criancinhas em perigo, quer dizer, em cada fase ele tinha o objetivo de resgatar todas as criancinhas em perigo dos malfeitores do jogo.
Curioso é que toda vez que Michael acha um de seus pupilos em perigo, a criancinha grita: “Michael” e sai correndo. Com certeza já sabia da infâmia do astro pop, antes de estourar os escândalos na “neverland”.
À época, Michael Jackson ainda usufruía da notória condição de maior astro pop. Coisa que, atualmente, não se enxerga nem o rastro.
Além disso, o jogo ainda traz umas rodadinhas pra lá de suspeitas do ex-cantor negro. E aquelas danças escrotas apoiando-se nos sapatos, que são o golpe especial dele pra matar todos os bandidos do cenário.
Nostalgia é isso.