Muito provavelmente, sem a popularidade do cinema estadunidense (recuso-me a falar norte-americano), o 4 de julho não seria tão conhecido na esfera mundial como de fato é.
4 de julho é significado de patriotismo exacerbado, de louvação aos grandes presidentes, generais e colonizadores da “América livre”. É claro que para o ufanismo existe o contraponto da crítica, que ajuda a amenizar a histeria com o que é difundido pela cultura cinematográfica. Vide a isso exemplos de filmes como “Apocalypse Now“, “Nascido Para Matar” e “A Mulher Faz o Homem“.
Abaixo, segue lista de 10 filmes que massageiam o ego da patriotada do norte.
10º – O Resgate do Soldado Ryan ( Saving Private Ryan/Steven Spielberg)
Neste clássico de guerra, é marcante o realismo das cenas – em especial, a do desembarque das tropas nas praias da Normandia, e o maniqueísmo não é gritante, quando se retrata os soldados alemães. Contudo, a aparição da bandeira dos EUA tremulando na cena inicial e na final traz um resquício a la “4 de julho” na obra de Spielberg.
9º – O Álamo ( The Alamo/John Wayne)
John Wayne, conhecido pelo seu conservadorismo, sempre traduziu nas telas a imagem de “bom moço defensor dos ideais de seu país ”. Na direção deste filme de 1960, John Wayne traduz o “espírito leal e corajoso” dos pioneiros, quando confronta estes com as ”malfadadas” tropas mexicanas disputando o território do Texas, antes sob o domínio mexicano.
8º - Pearl Harbour (Pearl Harbour/ Michael Bay)
Como diria uma música do filme “Team America“: “Pearl Harbour” é uma bosta. Direção histérica de Michael Bay, um triângulo amoroso de fazer vergonha a elenco de novela do Wolf Maia: Ben Affleck, Josh Hartnett e Kate Beckinsale. E ainda tem o ufanismo. Ah,é, tem isso também. Mas ninguém percebe muito, porque o filme já é uma bosta antes de analisarmos esse aspecto.
7º – Fomos Heróis ( We Were Soldiers/ Randall Wallace)
Junte Mel Gibson com o roteirista de “Coração Valente” dirigindo essa produção. Acrescente a isso uma história de bravura indômita e lealdade ao país. Eis o resultado de “Fomos Heróis”.
6º – Os Boinas Verdes (The Green Berets/ John Wayne)
John Wayne rema contra a maré do cinema político dos EUA dos anos 60. Neste “Os Boinas Verdes”, de 1969, ele reforça seu apoio aos EUA na impopular Guerra do Vietnã. Reforce-se a isto a procura em mostrar a supremacia militar das tropas, que, na realidade, mostrava-se combalida e frágil.
5º Força Aérea Um ( Air Force One/Wolfgang Petersen)
O presidente dos EUA, Harrison Ford, faz justiça com as próprias mãos ao salvar o avião mais seguro do mundo ( o avião presidencial), do ataque de terroristas estrangeiros. Precisa explicar o porquê deste filme ser o 5º da lista?
4º Independence Day ( Independence Day/Roland Emmerich)
O presidente dos EUA (Bill Pulmann) é, como no filme acima, a figura principal. Só que este ganha do presidente de Harrison Ford porque salva o MUNDO! E não somente um reles avião presidencial com um bucado de passageiro dentro. Cumpre reiterar que MUNDO é a mesma coisa que Estados Unidos da América nestes filmes. Parece que a única intenção dos alienígenas no filme é somente destruir a paz e a liberdade nos EUA, o resto do planeta é mera brincadeira.
3º Rambo 2 – A Missão ( Rambo 2/George P. Cosmatos)
O destemido John Rambo, na cara e na coragem, liberta um bando de prisioneiros norte-americanos no sudeste asiático, onde a cobra fuma. E tome bala nos amarelos.
2º O Patriota (The Patriot/ Roland Emerich)
Junte Mel Gibson e seu ódio pelos ingleses (vide Coração Valente) com Roland Emerich (diretor de Independence Day), na batalha pela independência norte-americana. Festival de choros, injustiças, enfim – tudo o mais que agrada aos olhos de todo bom patriota, até mesmo o título.
1º O Nascimento de Uma Nação (The Birth of a Nation/ David W. Griffith)
Este marco do cinema, de 1915, relata a Guerra de Secessão americana sob a ótica sulista escravocrata. Destaque em especial para o vilão negro retratado no filme como um homem perverso e manipulador. D.W. Griffith, o diretor do filme, foi acusado de racismo, tanto que em sua obra seguinte: “Intolerância”, procurou amenizar as críticas. Porém, o patriotismo americano – encarnado pelo branco conservador – tem muito de influência deste filme ainda hoje.
Escrito por pioreaguerra 
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