Ars Gratia Artis

Escrevo desta vez para publicar algo que eu estava devendo há uns 7 meses atrás durante a viagem que fiz para o Rio de Janeiro.

Em visita ao Museu de Arte Contemporânea, em Niterói, diante da bela arquitetura de Oscar Niemeyer, pude elaborar uma outra concepção da arte a qual eu não estava acostumado.

Minha visão, em qualquer matéria de conhecimentos gerais, sempre foi a de preservação do conservadorismo, do culto ao passado. Seja na música, no futebol, no cinema, na literatura, mas talvez nada tão intenso quanto em matéria de artes plásticas e seus diversos segmentos.

Explico-me: sempre desvalorizei a dita arte advinda dos tempos de Andy Warhol para cá. O que sempre me pareceu aborrecida é a visão dos críticos em supervalorizar uma lata de refrigerante estilizada ou cultuar um pedaço de merda contido num pote diante de uma empilhadeira de potes contendo os mesmos pedaços de merda.

Não é a arte sacra de Botticelli e Michelangelo, com suas definições perfeitas. Não é o estilo elegante e mórbido de um Bruegel. Nem se trata da genialidade de um Matisse ou de um Picasso, em suas inovações nos métodos contemporâneos de cores e formas. Enfim, não é um Salvador Dali e seu surrealismo.

Pra mim, um pedaço de merda em um pote ou qualquer outra forma de arte considerada pretensiosa, sem uma explicação lógica, deveria ser execrada junto com seus admiradores ferrenhos.

Não é essa, porém, a visão que me apareceu na visita ao Museu de Arte Contemporãnea, arte esta a qual sempre fui meio cabreiro, exceto pela arquitetura de Niemeyer e seus discípulos e contemporâneos.

Agora vejo que arte, por mais que não compreenda algum significado lógico num exame detalhado da obra, parte da subjetividade do criador sem a importância decisiva do público para sua apreciação. O autor dos potes de merda empilhados numa mostra cultural certamente não obedeceu a esses requisitos, assim também como sempre foi a lógica dos gênios sagrados das artes plásticas: deixar a livre interpretação a um observador para conseguir despertar alguma idéia sobre a obra exposta.

Bom, depois de toda a minha prolixa explicação a respeito do assunto artístico, demonstro aqui(na foto de cima do post) o que eu produzi em matéria de “arte”, pelo menos no meu conceito subjetivo.

Estava eu diante de inúmeros objetos inúteis postos sobre uma mesa no centro do Museu. Nessa mesa, o propósito era o de justamente fazer despertar algum tino artístico no cidadão médio que não é acostumado a isso(o que é meu caso).

Eram sorteadas duas palavras substantivas para diante de sua junção conseguir montar um objeto que explicasse a junção dessas duas palavras. As palavras que eu peguei foram “AFETO” e “CASA”.

Depois de pensar por um minuto, cheguei à resposta diante dos objetos que eu tinha na escolha.

A “casa” nada mais era do que o conceito que eu tenho da comodidade, do sentir-se bem, e nada pra mim correspondia mais a isso do que representar uma cama – cama esta que peguei de uma pequena esponja de formato retangular.

A “casa” simbolizava, ainda, meu estado-natal: O Rio Grande do Norte. Com isso, peguei uma tira verde-e-branca(cores da bandeira do estado) e amarrei com um barbante na “cama”, formando uma mal-construída colcha verde e branca. Complementei ainda duas castanhas de caju, tão típicas do RN, e coloquei do lado da cama, como alegoria.

O “afeto” está simbolizado por um pequeno aro que envolve a “casa” ou a “cama”, como queiram. Terminei a obra em questão e deixei, quem sabe para apreciação de outros visitantes, por um período determinado diante da mesa.

Essa foi a minha primeira “experiência artística”, por assim dizer…..

Sei que não serei aclamado como o sujeito dos potes de merda empilhados, mas acho que fiz minha parte.

Final de texto: o que importa, nestes termos, é a forma como você mesmo interpreta, lida com a subjetividade e põe, sem nenhuma pretensão, suas idéias para o mundo.

É a arte pela arte, amigos.

Ars Gratia Artis

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3 Responses to Ars Gratia Artis

  1. Tiago Azevedo de Aguiar disse:

    Ygor…
    Rapaz, ao meu ver, você fez um falo penetrando uma argola…
    que coisinha emo!

    ps: fora a greação, tá massa o texto.

    huahua

  2. Ygor Brandão disse:

    Ficou meio tosco mesmo.

    Mas nada que simbolize um objeto fálico.
    A argola é o símbolo do afeto,da união,rapá…

    Mas valeu pela elogiosidade do texto.

  3. Ed Vedder disse:

    É UMA ORLA

    OPS ROLA

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