Do terrorismo – sua definição

Assunto da semana, como não poderia deixar de ser, é a libertação da ex-senadora Ingrid Betancourt depois de 6 anos como refém das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia – guerrilha  “revolucionária”, de orientação marxista-leninista, atuante desde 1964 em território colombiano.

Note-se as aspas que inseri em revolucionária para posterior conteúdo a ser delineado neste post.

Revolução, nestes termos, já serviu de base para  muitos supostos grupos de libertação terem seu reconhecimento aprovado na esfera mundial. De maneira propedêutica, acho bom delimitar, observando na história dos movimentos de libertação nacional, quais de fato foram e são as organizações isentas da alcunha “terrorista” e quais as outras que pertencem a este rol.

Cumpre salientar que minha preocupação direta neste tema é a busca pela isenção ideológica, pois que a ideologia, considero eu, é a mola propulsora, em diversos casos, para a justificativa de práticas intoleráveis – seja a ideologia movida por grupos políticos, Estados nacionais ou cidadãos comuns. E disso, muitas vezes, gera incessáveis discussões de bar com os amigos. Minha função, portanto, é a de conciliar preceitos e elaborar de maneira idônea a definição de terrorismo.

Terrorismo, de acordo com definições elaboradas pelo Direito Internacional e entidades das mais variadas nações, tem duas espécies:

 – Terrorismo de Estado:  Designação utilizada para delimitar estados repressores e cerceadores de direitos e liberdades individuais. Tem como exemplo o governo provisório de Robespierre na França pós-revolução, regimes nazi-fascistas na Alemanha e Itália, o estalinismo na URSS, a ditadura comunista na China de Mao, o regime de Pol Pot no Camboja, os regimes ditatoriais na América Latina ( Argentina, Brasil, Chile, Paraguai, Cuba, República Dominicana, Haiti), o regime de Slobodan Milosevic na Iugoslávia, o regime de Saddam Hussein no Iraque, dentre outros.

– Terrorismo Organizado: Termo utilizado para designar grupos, que com o disfarçado intuito de revolucionários, implementam o terror de maneira a desestabilizar as liberdades civis e individuais de determinada nação ou Estado. Não se considera grupo terrorista aquele de libertação nacional de intuito não-agressor ou de estrita luta contra o exército de uma nação, sem atingir as populações civis. Exemplos: OLP antes da década de 80, IRA, ETA, Al-Qaeda, Hezbollah, FARCs.

Desta forma, observando-se os dois conceitos, perfaz-se uma tênue ligação entre os dois justamente porque o não-reconhecimento terrorista do grupo organizado de um contrapõe o terrorismo de Estado do outro.

Exemplo: a legalidade com que se instaurou a revolução comunista pós-Cuba ditatorial de Fulgêncio Batista (independente das posteriores consequências deste regime), os movimentos revolucionários no Brasil, Argentina e Chile contra a repressão militar (décadas de 60 e 70), o CNA (grupo armado revolucionário de Nelson Mandela contra o apartheid na África do Sul).

Eis aonde eu quero chegar pra calar os argumentos de quem defende as Farcs como grupos não-terroristas e elevar sua posição entre a dos grupos de libertação nacional validamente aprovados pela definição internacional.

Primeiro: sua história deriva da forte ligação que tem com o tráfico de drogas no qual se defere tratar-se de seu principal financiador;

 Segundo: a luta malfadada contra um Estado democrático que é a República da Colômbia, tornando a hipótese de reconhecimento deste grupo revolucionário cada vez mais remota;

e, Terceiro: O cerceamento das liberdades individuais e civis, vide exemplo de sequestros e cárcere, tendo Ingrid Betancourt como o seu símbolo.

A história traz vários exemplos de grupos revolucionários que se insurgiram com o apoio de governos de países ( vide apoio dos EUA  a grupos armados na América Latina), sem o respaldo da definição que delimita estes grupos revolucionários dentro da legalidade da definição do Direito Internacional.

O grande exemplo atual é, portanto, o das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, a qual, amparada  por diversos governos da América Latina, ainda teima em transparecer diante da ideologia canhestra e desarrazoada do socialismo, tal qual grupos revolucionários de direita ascenderam ao poder no nosso continente pelas mesmas razões.

 

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: